Crianças em tratamento de câncer têm dia de bombeiro no Paraná

Crianças em tratamento de câncer têm dia de bombeiro no Paraná
Ação foi para comemorar o Dia das Crianças e o centenário da corporação. Crianças vestiram roupa de bombeiro e passearam por Cascavel.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Suspeito de participar de quadrilha de assalto a ônibus é preso em Pirapora

Operação da Polícia Civil encontrou bolsas, malas e celulares com suspeito.
Em Uberlândia, 14 foram detidos suspeitos de integrarem quadrilha.

Valdivan VelosoDo G1 Grande Minas
Malas e bolsas foram encontradas com o suspeito em Pirapora (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Malas e bolsas foram encontradas com o suspeito em Pirapora (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Um homem foi preso na manhã desta terça-feira (9) em Pirapora, Norte de Minas Gerais, suspeito de comandar uma quadrilha de assalto a ônibus na região. Rodrigo Castro, de 26 anos, foi preso na “Operação Piratas do Asfalto”, da Polícia Civil, durante o cumprimento de mandado de prisão. Simultaneamente, a operação foi realizada em Uberlândia, onde 14 suspeitos foram detidos.
Delegado afirma que suspeito fornecia informações e apoio durante fuga à quadrilha. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Delegado afirma que suspeito fornecia informações
e apoio durante fuga à quadrilha
(Foto: Divulgação/Polícia Civil)
“Aqui em Pirapora, o papel do Rodrigo era de logística. Ele dava suporte aos integrantes da quadrilha, que vinha de Uberlândia praticar os assaltos, geralmente na BR-365”, explica o delegado Jeferson Leal.
Segundo o delegado, o suspeito foi preso no bairro São Geraldo. Com ele foram encontrados diversas malas e bolsas de viagem. “Possivelmente, as bolsas eram utilizadas durante os crimes para colocar os pertences das vítimas”, explica.
Outras duas pessoas, de 20 e 21 anos, também foram conduzidas à delegacia de Pirapora, mas, segundo o delegado, ainda não foi confirmada a participação deles nos crimes.

Quadrilha de roubo a ônibus e veículos de cargas é detida em MG

Quatorze pessoas foram apresentadas após ação da polícia de Uberlândia.
Delegado diz que criminosos agiam em várias regiões do estado.

Arcênio CorreaDo G1 Triângulo Mineiro
armas operação polícia uberlândia (Foto: Polícia Civil/Divulgação)Armas foram apreendidas com criminosos
(Foto: Polícia Civil/Divulgação)
Quatorze suspeitos de envolvimento em roubos a ônibus e de transportes de cargas, em todo o estado, foram detidos nesta terça-feira (9) pela Polícia Civil de Uberlândia. Os suspeitos foram identificados durante a Operação “Piratas do Asfalto”, desencadeada no município, além de Araguari e Pirapora, no Norte de Minas.
Segundo o delegado da Central de Inteligência da Polícia Civil (PC) em Uberlândia, Eduardo Leal, foram seis meses de investigações. Nesse período, um roubo a ônibus e dois roubos a veículos que transportavam cargas foram apurados.
Ao todo, oito pessoas foram detidas em Uberlândia, além de um menor apreendido, quatro emAraguari e um em Pirapora. Com eles foram encontrados diversos veículos, cinco armas de fogo, sendo quatro revólveres e uma escopeta, além de pertences das vítimas. “A organização criminosa vivia em Uberlândia e se deslocava para outras regiões do estado, onde executavam maioria dos crimes de roubos a ônibus”, afirmou.
Ele disse ainda que a quadrilha é suspeita de ter cometido outros roubos em rodovias mineiras. Nos próximos dias, algumas vítimas serão ouvidas. A ação é o resultado da parceria entre a Polícia Civil e empresas privadas, na repressão contra esse tipo de crime. “Foi montada uma força tarefa com as empresas de ônibus, em parceria com as forças policiais que trocam informações diariamente”, finalizou.
operação uberlandia (Foto: Polícia Civil/Divulgação)Alguns pertences das vítimas foram recuperados (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Presos estelionatários que se passavam por funcionários de bancos

Suspeitos agiam em agências do centro da capital; somente em uma delegacia foram feitas 80 denúncias contra eles; prejuízo ainda não foi calculado


O TEMPO
Três homens foram presos por crimes de estelionato em Belo Horizonte. O trio agia em diversas agências bancárias do centro da capital, ofereciam ajuda e, assim, faziam suas vítimas.
De acordo com o delegado Marcelo de Andrade Paladino, apesar de se conhecerem, os suspeitos atuavam de forma aleatória e por isso não foi caracterizado o crime de formação de quadrilha. Eles foram detidos no último sábado (22) e apresentados à imprensa na tarde desta quinta-feira (27), no 1º Departamento de Polícia da Capital.
Geralmente, os homens estavam bem vestidos, simulando ser funcionários do atendimento, mas sem os coletes "Posso ajudar". Daí, eles sugeriam aos clientes que mudassem a senha dos cartões, fazendo com que os mesmos digitassem a nova sequência como se estivessem colocando na tela a data do dia. Outra forma de pegar a senha, era ficar atrás das vítimas, e observá-las enquanto operavam as máquinas. A troca dos cartões se dava no momento em que os suspeitos pegavam o cartão da vítima com a desculpa de conferir qualquer dado, e, então, devolviam um dos muitos cartões semelhantes apreendidos com eles.
A Polícia Civil não tem informações de como os estelionatários adquiriram os cartões. Também não há confirmação de que funcionários do bancos participassem do esquema. As ações se davam principalmente à noite, aos sábados e domingos. O prejuízo ainda não foi calculado. 
O trio era investigado há quatro meses. Somente na 4ª Delegacia de Polícia Civil, vinculada ao 1º Departamento de Polícia da Capital, foram registradas 80 ocorrências contra eles, desde janeiro. A expectativa é que, com a divulgação do caso pela imprensa, novas vítimas apareçam. Denúncias semelhantes foram feitas na região de Venda Nova e ainda serão investigadas.

Os suspeitos estão presos no Ceresp da Gameleira. As penas para o crime de estelionato podem variar de um a cinco anos de prisão. 

Integrante de quadrilha, pastor vende diploma e é preso no Norte de MG

Suspeito também atuava como conselheiro tutelar na cidade; documentos falsos eram de Ensino Médio, graduação e pós-graduação


O TEMPO
Um pastor de Várzea da Palma, no Norte de Minas Gerais, foi preso suspeito de integrar a uma quadrilha que falsificava e vendia diplomas de Ensino Médio, graduação e pós-graduação, nessa quinta-feira (27).
De acordo com a assessoria da Polícia Civil, a investigação sobre o grupo criminoso começou em Mato Grosso e os estados de Minas Gerais e São Paulo deram apoio, já que pessoas desses estados também estão envolvidas nos crimes.
Nessa quinta-feira, o delegado Fernando Vetorazo cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, como parte da operação.
D.G.S., que também atuava como conselheiro tutelar na cidade mineira, foi preso e com ele foi apreendido mais de mil documentos falsos, dois CPUs, dois notebooks, celulares e mais de 50 cheques. Ele atuava como intermediário, conseguindo clientes para a quadrilha, segundo a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso.
Ele foi encaminhado para Cadeia Pública de Várzea da Palma, onde está a disposição da Justiça. Outras pessoas também foram presas nos outros dois Estados.
Em Minas Gerais, assim que concluir a investigação sobre o suspeito, o delegado vai avaliar se abrirá processo para averiguar as pessoas que foram "beneficiadas" com a falsificação.
Procurado, o Conselho Tutelar da cidade informou que o órgão ainda não foi formalmente informado dos fatos ocorridos. "Já estamos diligenciando no sentido de nos inteirarmos acerca de todo o ocorrido, para então tomarmos as medidas cabíveis", informou.
Operação Falsário
Um esquema de falsificação de diplomas do ensino fundamental, médio, técnico, superior e pós-graduação, que funcionava há mais 4 anos no Estado de Mato Grosso e atendia várias pessoas no Brasil, entre eles servidores públicos, foi desarticulado pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, nessa quinta-feira (27), durante a operação "Falsário".
A operação cumpriu 56 ordens judiciais em Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais, sendo dez mandados de prisão preventiva, 23 de busca e apreensão domiciliar e 23 mandados de condução coercitiva. Apenas um mandado de prisão não foi cumprido. Também foram apreendidos cerca de 300 diplomas e certificados, que ainda seriam entregues a "clientes", R$ 126 em dinheiro, 28 em cheques, além de notebooks e computadores, entre outros documentos.
As investigações iniciaram, em julho deste ano, em Cáceres (225 km a Oeste do Mato Grosso), com denúncias da compra de diplomas para conclusão do ensino fundamental e médio. O inquérito policial é presidido pela delegada Anamaria Machado Costa, da Delegacia de Polícia de São José dos Quatro Marcos (315 km a Oeste do Mato Grosso), designada pela delegada Regional de Cáceres, Elisabete Garcia dos Santos. Conforme Anamaria, nas investigações a Polícia Civil descobriu que o esquema de emissão de certificados falsos foi montado por um empresário dono de uma rede de laboratórios na cidade de Cáceres, identificado por Carlos Alexandre de Souza, que atendia pessoas de várias partes do Brasil.
O empresário foi preso na operação, em cumprimento de mandado de prisão preventiva, na cidade de Cáceres, onde ele e a mulher administravam dois laboratórios e estão prestes a inaugurar outro na cidade de São dos Quatro Marcos. Ele já foi investigado em São Paulo e estaria agindo desde o ano de 1998. Em Mato Grosso, na cidade de Cáceres, fixou residência há quatro anos e passou a movimentar o esquema com apoio de colaboradores.
Na casa do casal foram apreendidos R$ 126 mil em dinheiro, 28 mil em cheques, notebook, celulares, certificados e diplomas, entre outros documentos, todos encaminhados à perícia.
Em entrevista nesta sexta-feira (28), a delegada Anamaria Machado Costa confirmou o envolvimento de servidores públicos beneficiários e até médicos que compraram diplomas pelo valor de R$ 90 mil, para curso superior. Um desses diplomas de medicina foi apreendido em Jundiaí, São Paulo. "A priori pelas investigações da Polícia Civil há falsidade ideológica. O conteúdo dos documentos que é falso. Esses alunos não assistiam aula presencial. As assinatura prévias não eram feitas por eles. Eles apenas efetuavam o pagamento e recebiam em questão de um a dois meses o certificado", explicou.
De acordo com a delegada Anamaria, o empresário Carlos Alexandre mantinha em Cuiabá um escritório, identificado por 'Inovar Curso Preparatório, onde ficavam duas secretárias e dali saiam os pedidos de certificados do ensino fundamental e médio. Havendo pedidos também para emissão de diplomas técnico, nível superior e pós-graduação, porém estes eram tratados diretamente com o empresário. 
As duas funcionárias também foram presas na operação e revelaram que os certificados eram emitidos para beneficiados, que encomendavam os documentos de conclusão de nível fundamental e médio, ao preço unitário de R$ 980 ou R$ 1.900, os dois.
Conforme as secretárias, pelo escritório, interessado nos certificados faziam o pedido, via telefone, remetiam a documentação necessário (RG, CPF, comprovante de residência, certidão de nascimento ou casamento), para confecção do certificado que vinha de outros estados da federação.
No local, policiais da Diretoria de Inteligência acompanhados do delegado de Cáceres Mário Roberto de Souza Santiago Junior, apreenderam 195 diplomas e certificados emitidos em vários Estados, principalmente São Paulo, Rio de Janeiro e Maranhão, para pessoas de diversas cidades do Brasil, principalmente de Mato Grosso.
Durante as investigações, a Polícia Civil constatou um grande número de pessoas beneficiárias do esquema, com ramificações em outros estados, para  emissão de certificados falsificados, que eram vendidos para os “clientes” nas opções de nível fundamental, nível médio, superior, pós graduação e técnico. "Vamos agora comprar o uso desses documentos para que a pessoa possa responder criminalmente", disse a delegada.
Todos os documentos apreendidos serão submetidos a perícia técnica para comprovação da falsificação. Os envolvidos serão indiciados pelo crime de associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.
As ordens judiciais foram expedidas pelo juiz de Cáceres Jorge Alexandre Martins Ferreira com anuência do promotor de Justiça Rinaldo de Almeida Segundo.
A operação contou com participação da Diretoria de Inteligência da Policia Civil, em Cuiabá, que ajudou no monitoramento dos alvos nos estados com ramificação da quadrilha e locais com pessoas beneficiadas; com apoio das  unidades de Inteligência do Estado de São Paulo, Departamento de Polícia Judiciária Civil do Interior de São Paulo - cidades de Campinas, São José do Rio Preto, Piracicaba -, Delegacia de Investigações Gerais da Polícia Civil de Jundiaí (SP), Departamento de Informações e Inteligência Policial em Minas Gerais e Departamento de Polícia Civil de Curvelo (MG).
Também participaram da operação policiais civis (delegados, investigadores e escrivães) das cidades mato-grossenses de Cuiabá, Cáceres, Araputanga, São José dos Quatro Marcos, Mirassol D'Oeste, Porto Esperidião, Rio Branco, Lambari D'Oeste, Jaciara, Rondonópolis e Primavera do Leste, municípios com cumprimento de ordens judiciais.

O trabalho do serviço de Inteligência teve a colaboração da Coordenadoria  Geral de Inteligência, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (GGI/Senasp).

Projeto de lei autoriza cidadão brasileiro a andar armado

Proposta também passa da Polícia Federal para a Civil a responsabilidade pelas concessões


Estatuto do Desarmamento
Ipea diz que venda de armas de fogo caiu 40,6% após Estatuto do Desarmamento de 2003
O TEMPO
O plenário da Câmara dos Deputados vai analisar, no próximo dia 10, um projeto de lei que anula o Estatuto do Desarmamento, em vigor no país desde 2003. A principal mudança da proposta é a liberação do porte de arma para o cidadão comum. Além disso, o processo para concessão da autorização ficará mais barato, e ele passará a ser realizado pelas Polícias Civis de cada Estado. A possibilidade da liberação coloca em lados opostos movimentos pacifistas e uma parcela da população defensora da tese de que a liberação dá ao cidadão a possibilidade de se defender de criminosos.
Hoje, para que o porte seja concedido, o interessado precisa comprovar a necessidade da arma. Se o Projeto de Lei 3.722/2012, do deputado Rogério Peninha (PMDB-SC), for aprovado, essa necessidade será excluída. “Atualmente, o bandido assalta uma pessoa com a certeza de que não terá reação. Será que esse marginal teria a mesma audácia caso os brasileiros pudessem obter o porte de armas? É preciso repor a dúvida na cabeça do ladrão”, justificou.
O parlamentar embasa a proposta no aumento da criminalidade e no baixo número de armas recolhidas na campanha do desarmamento, criada em 2004. Em quase dez anos, foram 660 mil armas, 500 mil delas nos primeiros dois anos (veja os dados ao lado).
Assaltado três vezes, o administrador Cleber Grijó Júnior, 37, reforça o coro. Colecionador de armas e atirador esportivo, ele argumenta que a legislação tira do cidadão o direito de se defender. “O Estado não dá conta da violência. Os bandidos sabem que podem entrar na sua casa, na sua empresa. Não vai haver reação. Não acho que deva banalizar, baratear o processo. Tem que ter critérios, sim, exigir treinamento, teste psicológico. O que não acho certo é proibir e pronto, para todo mundo. O criminoso não cumpre a lei, não entrega a arma dele”. Pelo projeto, as taxas para a concessão de porte ou posse serão de R$ 440 – hoje são R$ 2.435.
O presidente do Movimento Viva Brasil, Bene Barbosa, defende a revogação do estatuto por causa do referendo de 2005, quando 59 milhões de brasileiros foram contra a lei – a pergunta na ocasião era se o cidadão era a favor de proibir o comércio de armas e munição. “A opção de defesa só pode ser exercida se você tiver um instrumento para isso”.

Menos armas. O cientista político Guaracy Mingardi, por sua vez, defende que regras mais frouxas contribuem para o acesso de bandidos a armas e para o crescimento de crimes por impulso (como em brigas de trânsito e após discussões).

Falta de autonomia e baixo orçamento prejudicam perícia

MG é uma das oito unidades da federação que mantêm órgão na estrutura da Polícia Civil


PROTESTO/RIO/CINEGRAFISTA/PERÍCIA
Demanda. Cada vez mais questionada, perícia precisa estar preparada para responder à sociedade
O TEMPO
A cena do perito criminal no laboratório examinando vestígios para descobrir um serial killer (que comete assassinatos em série) é fascinante nos seriados de televisão. Na realidade brasileira, a perícia enfrenta dificuldades administrativas e técnicas para desvendar os crimes, a exemplo de Minas Gerais. Com o aumento da violência, o papel da perícia se tornou decisivo não só na resolução, mas também na prevenção, a partir da criação de um banco de dados de suspeitos. Enquanto a polícia não descobre um psicopata que está matando mulheres, ele faz mais vítimas.
Mas para analisar cenas de crimes, fazer exames e emitir laudos, os peritos reivindicam autonomia técnica e administrativa. Em 19 Estados, os institutos periciais não fazem mais parte da estrutura da Polícia Civil (PC) e possuem orçamentos próprios. Mesmo isso sendo uma tendência, o Instituto de Criminalística (IC) de Minas não consegue ser independente.

A Lei Orgânica da PC mineira, sancionada há um ano, estabelece essa autonomia, mas ela ainda não foi colocada em prática. O orçamento baixo é resultado disso. Até 25 de novembro deste ano, os gastos com “perícias técnico-científicas” representaram 0,44% (R$ 786.244) da despesa da PC (R$ 174,8 milhões – excluindo a verba para remuneração de pessoal).

“A polícia técnico-científica tem um custo alto, depende de aparelhos caros. O perito trabalha dentro de um laboratório para elucidar as provas técnicas do que a investigação está apontado”, explicou a superintendente da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, Norma Sueli Bonaccorso. O órgão é uma espécie de “terceira polícia” há 15 anos, e se tornou referência no Brasil – os 3.800 peritos atuais realizam 1,3 milhão de perícias por ano (em Minas são 581 peritos e 160 mil laudos). Desde 1999, o número de homicídios em São Paulo caiu 65%, passando de 12,8 mil para 4.444, em 2013.

Para o juiz Douglas Martins, os institutos periciais devem ser o mais independentes possível, em relação à polícia e ao próprio Judiciário. “A perícia vinculada à polícia é um perigo para a sociedade. Em muitos casos, ela é decisiva na condenação. O perito tem que ficar longe do juiz, do delegado, do promotor. Se o delegado quer deixar o cidadão preso, ele pode manipular a perícia”, avaliou. Segundo Martins, a prova técnica é incontestável, por isso é muito difícil um juiz ir contra ela. “Mas se investe pouco nesse tipo de prova no Brasil. Os processos são basicamente de provas testemunhais”, destacou o magistrado.

Já o pesquisador Luís Felipe Zilli acredita que, mais do que uma perícia independente, é preciso investir nas investigações como um todo. “O grande gargalo da segurança pública em Minas é a baixa resolução de crimes violentos. A precariedade no Estado é de toda a Polícia Civil. A prova técnica ainda é muito subvalorizada, gerando inquéritos frágeis, sem retirar criminosos de circulação”, apontou. Zilli ressalta ainda que a fragmentação das polícias pode ser complicada. “Hoje já temos duas polícias (Militar e Civil) em Minas que não conversam”.
Tendência
Exemplos.
 São Paulo, Bahia, Goiás e Santa Catarina são alguns dos Estados onde a perícia é independente. Um dos primeiros foi o Rio Grande do Sul, em 1989. E, recentemente, o Amazonas.

Saiba mais
Dependente. 
Normativas da Polícia Civil em Minas vão contra a lei orgânica que daria autonomia para a perícia. As escalas dos peritos do interior, por exemplo, eram feitas pelo perito superintendente, mas foi repassada para o delegado chefe de polícia, que estabelece o ritmo de andamento do serviço sem critérios técnicos.

Imediatos. Peritos denunciam que prazos são ignorados. Uma requisição a que a reportagem teve acesso pedia uma vistoria em um local de incêndio para determinar origem de foco inicial com expedição imediata do laudo. “Esse laudo demoraria 30 dias, mas somos pressionados a dar resultados”, disse um perito, sob anonimato.

Sueco procurado pela Interpol é indiciado por cinco crimes no Brasil

Frank Sten foi preso no dia 20 de novembro, em Ipatinga, no Vale do Aço, onde vivia há 5 anos; ele era procurado pela Interpol desde 2008


Frank Hans Robert Sten
Sten estava sendo procurado desde 2008
O TEMPO
Condenado por pedofilia na Suécia e procurado pela Interpol desde 2008, o sueco Frank Hans Robert Sten, de 51 anos, foi indiciado pela prática de cinco crimes no Brasil.
Segundo o delegado Rodrigo Manhães, responsável pelo caso, Sten foi indiciado por uso de documento falso, por três casos de falsidade ideológica, e pelo crime previsto no artigo 241 B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que penaliza quem adquire ou armazena, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.
Sten foi preso no dia 20 de novembro, em Ipatinga, no Vale do Aço, onde vivia há 5 anos e era dono de uma lan house. Ao ser abordado pela polícia, ele apresentou uma carteira de habilitação falsa, mas acabou confessando sua verdadeira identidade ao ser questionado pelo delegado. Segundo Manhães, o inquérito apontou que, além da carteira de habilitação, o sueco falsificou CPF, carteira de identidade e carteira de trabalho. Os órgãos emissores dos documentos já foram notificados sobre as fraudes.
Além disso, de acordo com o delegado, a investigação aberta para apurar o envolvimento do suspeito com pedofilia no Brasil apontou que ele armazenava imagens de crianças e adolescentes nus e em prática de sexo explícito em seu computador pessoal e em um pen drive. Segundo Manhães, também foram encontradas fotos de crianças e adolescentes em cenas cotidianas, tiradas em Ipatinga.
De acordo com o delegado, o inquérito foi encaminhado ao Fórum de Ipatinga nesta segunda-feira. Uma cópia completa do mesmo documento também será enviada à Interpol, que deve determinar as sanções que o suspeito irá sofrer depois que recebê-la. De acordo com Manhães, a princípio, Sten deve ser julgado pelos crimes que cometeu no Brasil e, caso seja condenado, cumprirá pena por eles no país.
Segundo o delegado, se for condenado à pena máxima dos crimes pelos quais foi indiciado, o sueco pode ficar preso por até 25 anos. Sten está preso preventivamente no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Ipatinga. 
O caso
Sten foi preso no mês passado, depois que a polícia recebeu a informação de que um estrangeiro procurado pela Interpol estava na cidade. Ao ser abordado, ele se apresentou como Humberto Cornelio Liung e mostrou uma carteira de habilitação falsa aos policiais, mas acabou confessando sua verdadeira identidade ao ser questionado pelo delegado.

De acordo com Rodrigo Manhães, Sten era dono de uma lan house no centro da cidade e tinha união estável com uma brasileira. Ela foi ouvida pela polícia e contou que descobriu a história do companheiro em outubro. Ainda segundo a polícia, uma criança vivia com o casal, mas não foi possível confirmar se o garoto é filho Sten.